quinta-feira, 27 de setembro de 2007




O que espera uma mulher de trinta?


Por Ana Kessler


Meus trinta anos estão chegando e eu não fechei pra balanço. Menos ainda planejei meus anos vindouros. Estou atordoada, empolgada, desconfiada. Dizem que quando uma pessoa sai dos "NTE", de "vinte", e entra nos "NTA", de "trinta", "quarenta"... só pára nos cem, isso se não descer pelo meio do percurso. Eu não faço idéia em que ponto da vida vou ficar, mas com certeza não pretendo ser a desmancha-prazer que puxa a cordinha. Se vou mesmo me transformar em uma nova mulher, tomara que seja numa versão turbo, compatível com minha configuração atual, não gostaria de perder meu precioso banco de memória. Nem a capacidade de questionar.
Você sabe o que espera uma mulher de trinta? Em primeiro lugar, que ela espera ser bem tratada. Não precisa puxar a cadeira, abrir porta, ajudar com o casaco, mas se você fizer tudo isso, ulalá, ganha mil pontos. Mais do que uma prova de cavalheirismo, é um atestado de zelo: você se preocupa com o bem estar dela, demonstra interesse, atenção, carinho. Ela se sente única, importante, o centro do seu mundo. E de quebra, mata as outras de inveja.
A mulher de trinta trabalha, pode dividir a conta do jantar e até pagá-la inteira, mas se você lhe der este agradinho, ganha um sorriso sincero e propaganda gratuita entre as amigas. Não muita, é claro, por que a mulher de trinta sabe que o segredo é a alma do negócio, e se ficar espalhando aos quatro ventos os dotes de ouro do peixão que pescou, sabe como é, ele pode acabar nas garras da concorrência.
A mulher de trinta conhece o seu valor. Ela sabe inflacionar-se no mercado, a hora exata de subir os peitos ou baixar a cotação da calça. Sabe até aplicar na poupança, se bem que outros investimentos talvez lhe dêem uma maior flexibilidade e agilidade. Ela gosta de prazos longos, mas os curtos também são bem-vindos. Mais que o tipo de aplicação, importante pra ela é saber o que fazer com o que tem na mão. Nesse caso, com certeza, experiência de vida é um grande aliado.
Ela é craque em pegar um táxi, é só estender o braço, ligar para o rádio-táxi ou gritar "hei" no meio da rua. No entanto, se o homem se mostra gentil em buscá-la em casa, como não se derreter? Se leva flores, como resistir a dar... saltinhos de alegria? E se ligar no dia seguinte então, gera ataques epiléticos no meio da sala. É tão fácil agradar uma mulher, e uma mulher agradada é tão fácil, sinceramente, não entendo do que os homens reclamam.
A mulher de trinta sabe a diferença entre ser frágil e ser fraca. Entre chorar e fazer drama. Entre ser humilde e ser passiva. A força não está só na ação, mas na palavra, no olhar, no silêncio. Sabe a hora de falar e de calar. De dar colo e de ser firme. Uma mulher de trinta enxerga e vê. É menos utópica e mais prática. Lamenta pelo leite derramado, mas já vai pegando um detergente e um esfregão, porque tem que tocar o barco pra frente. E não espera mais que o príncipe venha num cavalo branco, um Audi A4 está bom.
Ela sabe que o sofrimento é o caminho da evolução, não há como crescer sem passar por dificuldades, mas vá lá, se é pra sofrer, que seja sob o sol do Caribe. Aprendeu que o otimismo é um ótimo analgésico, a maquiagem uma amiga do peito, e amigas do peito, ombros indispensáveis a todas as horas. Que dor de cotovelo se cura com beijo na boca, banho de loja e meditação. E esperta, segue à risca o conselho "conhece-te a ti mesmo", só acrescenta: "e à tua TPM".
A mulher de trinta ainda não tem muitas rugas, mas não duvida dos poderes devastadores dos raios ultravioletas. Protege-se. Falando em proteção, carrega sempre uma camisinha na bolsa. Todo o esquecimento deste acessório sexual é suspeito: mulheres de trinta querem casar e ter filhos, não nesta ordem, necessariamente. Uma corridinha matinal não segura mais a forma, mas ela tem segurança suficiente para saber ressaltar o formato natural em que veio ao mundo. Usam mais decotes e menos calças justas. Saias ganham comprimento, mas a cruzada de perna, uh-uh, Sharon Stone que o diga, põe no chinelo as garotinhas.
Mulheres de trinta são imaturas conscientemente. Por que sem levar na brincadeira, a vida não tem graça. É preciso errar e rir de si mesma para poder triunfar e continuar sorrindo. Perdoar é indispensável, mas levar desaforo pra casa, proibido. A de trinta sabe que o poder de sedução aumenta diretamente proporcional à quantidade de álcool no sangue. Dele. Não, ela não deixa ele dirigir bêbado pra casa, mas sim, coloca o rapaz direitinho na cama.
Ao longo de trinta anos, aprende-se que não adianta ter um beijo delicioso e magoar um coração. Tampouco levar um homem à loucura e abandoná-lo lá. É preciso ser responsável pelo que se cativa, jamais plantar, e deixar a arvorezinha secar na aridez ou morrer sob a chuva. Que o dia de hoje vale mais do que o amanhã. E que o ontem, bem, uma mulher de trinta não pensa muito no dia de ontem.

OBS: "Sensações de Sofia" é um livro online que conta a história de Sofia do Rio, uma gaúcha que se muda para o Rio de Janeiro e passa por poucas e boas.


este texto é em homenagem ao meu aniversario de 30 anos. este texto nao fo escrito por mim mas ele diz muito do que penso por isso estou colocando ele a disposiçao dos leitores mas gostaria de relembrar que ele foi escrito por ANA KESSLER - bibliografia eletronica: www.globo.com/fantasticoAche essa matéria em:http://fantastico.globo.com/Fantastico/0,19125,TFA0-2142-9146-70909,00.html

Um comentário:

Salete disse...

Nem queiram saber a mulher dos 40,pra lá de experiente e com recursos intelectuais e espirituais superiores aos das de 30!